Existem algumas perguntas que me acompanham desde o início da minha trajetória na medicina, e a primeira delas é a mais desafiadora: qual é a melhor conduta para este paciente?
Pode parecer uma pergunta óbvia, mas entendi ao longo dos anos, que a conduta ideal é mais *quando* operar, e nem sempre *qual* será o procedimento indicado.
A queixa do paciente que o trouxe à consulta, necessita ser compreendida e traduzida para à luz da cirurgia plástica.
Às vezes, aquele procedimento do qual você ouviu falar é apenas uma parte do que realmente precisa, e na verdade necessita ser adaptado ou corrigido a coisas tão importantes como estilo de vida ou até restaurar a sua auto-estima.
Acontece, por exemplo, com a procura por “lipoaspiração”, quando o que há de fato é excedente de pele (dermatocalázio) e diástases de parede abdominal (afastamento dos músculos), onde explico, oriento e preparo para a cirurgia.
Ainda outro exemplo comum é a queixa de “meu rosto está flácido”, ou o olhar triste, ou perda do sorriso – onde encontramos indicação apropriada para o “lifting” do rosto (ritidoplastia).
Outro destaque é minha vivência em oncologia, tanto das lesões de pele, quanto nas mamas.
Ao longo dos anos dedicados à reconstrução mamária, tive o privilégio de acompanhar histórias vitoriosas, de pacientes que buscavam recuperar a forma corporal e a sua autoestima após um tratamento oncológico, pacientes que desejavam voltar a se reconhecer diante do espelho, homens e mulheres em busca de mais conforto, qualidade de vida e bem-estar.
Esta é a minha maneira de enxergar a medicina, com a integração da forma física com auto-estima e estilo de vida saudável.
A saúde em primeiro lugar: ela decide qual é o melhor procedimento
Talvez esse seja o princípio mais importante da minha prática médica e são esses valores que norteiam minhas decisões e meus planejamentos. Acredito que existe um momento adequado para indicar uma cirurgia e também um momento adequado para indicar uma prorrogação.
Uma alimentação inadequada, oscilações importantes do peso, condições clínicas que merecem maior atenção ou mesmo expectativas incompatíveis com aquilo que a medicina pode oferecer fazem parte dessa avaliação.
A melhor indicação médica não é necessariamente aquela que leva um paciente ao centro cirúrgico e muitas vezes, ela começa muito antes disso. Podendo significar melhorias nos hábitos de vida, cuidados com o equilíbrio nutricional, maior compreensão das expectativas relacionadas ao tratamento ou simplesmente permitir que o organismo esteja preparado para viver aquele momento da melhor maneira possível.Este é o princípio mais importante da minha prática médica e são esses valores que norteiam minhas decisões médicas.
Acredito que existe um momento adequado para indicar uma cirurgia e também um momento adequado para indicar um preparo prévio e intensivo.
Aqui é a hora de você assumir com responsabilidade a dedicação sincera ao seu tratamento: hábitos como não fumar, exercitar-se regularmente e alimentar-se de forma a promover saúde são provas do comprometimento com você mesmo!
Daí em diante, fico confiante em lhe dar as orientações para reposição de nutrientes, cuidados específicos e orientações que lhe permitirão, com comprometimento, alcançar uma recuperação previsível e a rápida retomada da sua vida normal.
A melhor indicação médica não é necessariamente aquela que leva um paciente ao centro cirúrgico. Muitas vezes, ela começa no preparo.
Tão importante quanto é também a compreensão correta das expectativas com o tratamento. Fale claramente o que lhe incomoda e o que deseja alcançar, para que seja possível alinhar expectativa e realidade.
Tudo isto permite ao organismo acessar o preparo para viver cada etapa da melhor maneira possível.

Cada paciente é diferente
Na medicina evito tratamentos universais, aqueles que “todo mundo faz”, pois cada paciente possui sua própria história, características anatômicas, hábitos de vida, necessidades, anseios, expectativas e objetivos pessoais e por isso, acredito profundamente na individualização do tratamento.
O planejamento primeiro leva em conta as características de cada paciente, para depois analisar exames e imagens.
A compreensão de quais são as motivações que lhe trouxeram ao consultório leva em conta dados que às vezes não aparecem em uma imagem apenas. Seja como é seu estilo de vida – mais planejado ou mais intenso- quais são as expectativas, como anda a esfera afetiva, e portanto, emocional, quais desconfortos deseja tratar ou o que ele espera encontrar ao final dessa jornada.
Informação também faz parte do tratamento
Vivemos em um momento de enorme quantidade de informações, o tempo todo, tanto sobre saúde quanto na cirurgia plástica. Isso acaba causando confusão ao invés de orientar.
Desta forma, nunca foi tão importante a voz do especialista. Como Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, posso lhe trazer as informações mais confiáveis e atualizadas.
Acredito que nenhum paciente deve tomar decisões baseado apenas em tendências, modismos, fotografias ou opiniões superficiais encontradas nas redes sociais, uma vez que a consulta médica também é um momento de aprendizado.
Explicar possibilidades terapêuticas, limitações, benefícios, cuidados relacionados à recuperação e alternativas disponíveis, também é parte do tratamento e um paciente bem informado, tem capacidade de participar ativamente das decisões relacionadas à sua própria saúde.
Mais do que apresentar possibilidades, meu papel é oferecer clareza, acolhimento e segurança para que cada escolha seja feita de maneira consciente e que a autonomia do paciente e a decisão compartilhada sejam sempre os valores fundamentais da medicina que procuro exercer diariamente.
A ética deve estar presente dentro e fora do consultório
A ética médica deve ultrapassar os limites do consultório, ela tem que estar presente na maneira como comunicamos informações relacionadas à saúde e nesse aspecto, as redes sociais possuem um importante papel educativo quando utilizadas com responsabilidade.
Desta forma, procuro utilizar esse espaço para compartilhar conhecimento, esclarecer dúvidas frequentes e estimular reflexões que possam contribuir para escolhas mais conscientes.
A publicidade médica possui parâmetros rigorosos para garantir e preservar a qualidade das informações. Respeitar esses princípios faz parte do compromisso que assumimos decidimos exercer a medicina.
A cirurgia plástica faz parte de um cuidado integral
Desde o início da minha formação, lá na UNESP BOTUCATU, na Santa Casa de São Paulo e definitivamente na UNIFESP-EPM, busquei o que há de atual em cada fase a medicina, e ao mesmo tempo, aprofundar conhecimentos em áreas complementares, como a prática clínica Ortomolecular, que é um aprofundamento da Bioquímica, Fisiologia e Farmacologia aplicados às questões clínicas do paciente. A Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa, por sua vez, que identifica alterações de vitalidade e condições que permitem ajudar ao paciente com controle da dor, melhora do inchaço, náuseas e outros sintomas.
A qualidade do sono, a alimentação, o equilíbrio nutricional, a prática regular de atividade física e os cuidados relacionados à saúde mental exercem influência significativa sobre o bem-estar e sobre a recuperação no pós-operatório.
Assim, acredito que a cirurgia plástica ocupa um lugar importante no cuidado com a saúde – ela se torna uma verdadeira jornada. Boa saúde e uma cirurgia bem sucedida são sinônimos!
Nosso objetivo é lhe preparar para cada etapa, desde o planejamento até sua recuperação, dentro das suas limitações, compreendendo que saúde e qualidade de vida são construídas diariamente.

Quais são meus princípios e foco da minha prática médica?
Ao longo da minha trajetória médica, alguns princípios permaneceram inalterados:
Tenho o privilégio de cuidar de pessoas. E essa continuará sendo a maior responsabilidade que carrego comigo todos os dias, exercendo a medicina em sua essência: com conhecimento, responsabilidade, humanidade e profundo respeito pela confiança que cada paciente deposita em minhas mãos.
- A saúde sempre estará acima da realização de qualquer procedimento.
- Cada paciente merece uma avaliação cuidadosa e individualizada.
- Segurança deve permear todas as decisões médicas.
- Informação clara e acessível também faz parte do tratamento.
- A ética médica deve estar presente dentro e fora do consultório.
- Conhecimento científico, humanidade e acolhimento caminham juntos.
- O melhor tratamento é aquele que respeita a realidade, as necessidades e os objetivos de cada paciente.
- A cirurgia plástica deve estar sempre a serviço da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida.
Cuidar de alguém significa, antes de tudo, compreender sua história, respeitar seus limites e participar, ainda que por um breve momento, de uma etapa importante da sua vida e justamente por isso, eu nunca tenha compreendido meu trabalho apenas como a realização de cirurgias.




