A pele é o maior órgão do corpo humano. Ela protege, participa da regulação da temperatura, funciona como uma barreira contra o ambiente e também revela, de muitas maneiras, como estamos cuidando da nossa saúde.
Ainda assim, é comum que a gente só se lembre dela quando aparecem manchas, flacidez, ressecamento, rugas ou alguma alteração que incomoda.
Na minha prática médica, procuro enxergar a pele de uma forma um pouco diferente. Antes de pensar em qualquer procedimento, é importante entender como ela está, quais são os hábitos dessa pessoa e quais fatores podem estar influenciando sua qualidade.
A cirurgia plástica pode ter um papel importante no rejuvenescimento e na recuperação do contorno corporal, mas a qualidade da pele também influencia diretamente a avaliação, o planejamento e a recuperação de muitos tratamentos. Por isso, cuidar da pele deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de saúde.
A pele também envelhece de acordo com os nossos hábitos
O envelhecimento da pele acontece naturalmente e com o passar dos anos, ocorrem mudanças na produção e na organização de colágeno, elastina e outras estruturas que contribuem para sua firmeza e elasticidade.
Mas a idade é apenas uma parte dessa história, a exposição acumulada à radiação ultravioleta é um dos principais fatores relacionados ao fotoenvelhecimento. Rugas, manchas, perda de elasticidade e alterações de textura podem aparecer ou se intensificar com a exposição solar ao longo da vida.
Por isso, quando falamos em prevenção do envelhecimento, o protetor solar não deveria ser lembrado apenas durante o verão ou nas férias, mas sim como parte de uma rotina diária de autocuidado e proteção.

Protetor solar é cuidado diário
A fotoproteção é uma das medidas mais importantes para preservar a pele ao longo dos anos e de forma geral, recomenda-se utilizar um protetor solar de amplo espectro, com FPS 30 ou superior, nas áreas expostas, além de associar outras medidas, como sombra, roupas adequadas, chapéus e evitar exposição excessiva nos horários de maior intensidade da radiação. A reaplicação é importante especialmente quando há exposição prolongada, suor ou contato com água.
Também precisamos lembrar que o protetor solar não deve ser utilizado como uma autorização para permanecer mais tempo sob o sol já que a proteção funciona melhor quando faz parte de um conjunto de cuidados.
Outro ponto interessante é a luz visível. Ela não deve ser confundida com a radiação ultravioleta, mas pode contribuir para o escurecimento da pele e para a hiperpigmentação, especialmente em pessoas predispostas. Nesses casos, fotoprotetores com cor podem oferecer proteção adicional contra a luz visível.
Quanto à iluminação artificial e às telas, ainda existe muita informação circulando nas redes sociais e é importante separar o que já possui evidência científica do que é apenas uma tendência de skincare e no final, o cuidado principal continua sendo a proteção contra a radiação UV e a avaliação individual da pele.
Hidratação: uma pele bem cuidada responde melhor
A hidratação adequada contribui para a manutenção da barreira cutânea e ajuda a reduzir o ressecamento e a irritação. A American Academy of Dermatology recomenda o uso regular de hidratantes como parte dos cuidados básicos com a pele e destaca sua importância, inclusive em rotinas voltadas à prevenção dos sinais do envelhecimento.
Mas existe uma diferença entre hidratar a pele externamente e manter uma boa hidratação do organismo, por isso, beber água adequadamente, ter uma alimentação equilibrada e evitar hábitos que favoreçam o ressecamento fazem parte de uma visão mais ampla de cuidado.
Também precisamos considerar o clima, a idade, os medicamentos utilizados e as características individuais da pele e nem sempre o produto mais caro ou mais divulgado será o mais adequado.

A alimentação também aparece na pele
A pele precisa de nutrientes para manter suas funções e responder adequadamente aos processos de renovação e reparação.
Proteínas, vitaminas, minerais e outros nutrientes participam de diferentes funções relacionadas à manutenção dos tecidos e por isso, uma alimentação variada e equilibrada é uma parte importante do cuidado integral.
Na minha prática, essa avaliação ganha ainda mais importância quando estamos preparando um paciente para uma cirurgia plástica ou um procedimento ambulatorial.
Antes de uma cirurgia, procuro conhecer o estado geral de saúde, os hábitos alimentares e as condições que podem influenciar a recuperação. Quando existe indicação, a avaliação pode incluir exames laboratoriais e orientação nutricional ou suplementação específica.
Suplementar não significa simplesmente tomar vitaminas por conta própria e a necessidade deve ser avaliada individualmente, considerando alimentação, exames, histórico clínico e o tratamento que está sendo planejado.
Esse cuidado faz parte da visão de prática integrativa que procuro aplicar no consultório: olhar para o paciente como um todo.
Pele e cirurgia plástica: uma relação importante
Quando pensamos em cirurgia plástica, geralmente pensamos na técnica utilizada pelo cirurgião, mas a qualidade dos tecidos também faz parte do planejamento.
Uma pele bem cuidada não determina que uma cirurgia terá seus objetivos alcançados, mas boas condições gerais de saúde e dos tecidos são aspectos importantes para a avaliação e para a recuperação.
Isso é especialmente relevante em procedimentos que envolvem grandes áreas de pele ou alterações importantes do contorno corporal e durante a consulta, avalio não apenas a região que será operada, mas também as condições gerais do paciente. O objetivo é entender se existe um momento adequado para realizar a cirurgia e quais cuidados podem contribuir para uma recuperação mais segura.
Quais tratamentos podem ser realizados na clínica?
Nem toda alteração da pele precisa de cirurgia. Na clínica, contamos com diferentes possibilidades de tratamentos não cirúrgicos, sempre definidos depois de uma avaliação médica.
Entre eles estão os peelings químicos e tratamentos a laser, que podem ser utilizados em situações específicas para melhorar textura, manchas e alguns sinais do envelhecimento. A escolha depende do diagnóstico, do tipo de pele e do objetivo do tratamento.
Também utilizamos ultrassom microfocado, que atua por meio de energia ultrassônica e pode ser indicado para estimular colágeno e melhorar a flacidez em determinadas regiões.
Outra possibilidade são os bioestimuladores de colágeno, como ácido poli-L-láctico e hidroxiapatita de cálcio, utilizados em indicações específicas para melhorar a firmeza e a qualidade da pele. O planejamento deve considerar região, características dos tecidos e objetivos de cada paciente.
A clínica também oferece toxina botulínica e preenchedores, que possuem indicações diferentes e podem ser utilizados para tratar determinadas rugas, alterações de volume e assimetrias. A indicação precisa ser individualizada para preservar a naturalidade da expressão.
Em alguns casos, diferentes tratamentos podem ser combinados. Em outros, um cuidado mais simples e consistente será suficiente.

O que realmente ajuda a preservar a pele?
Não existe um único produto capaz de compensar anos de exposição solar, noites mal dormidas, alimentação inadequada e outros hábitos que afetam a saúde, da mesma maneira que nenhum procedimento estético consegue substituir os cuidados cotidianos.
Algumas atitudes continuam sendo fundamentais:
- usar fotoproteção diariamente;
- manter a pele adequadamente hidratada;
- ter uma alimentação equilibrada;
- praticar atividade física regularmente;
- dormir adequadamente;
- evitar o tabagismo;
- manter um peso saudável;
- acompanhar condições clínicas que possam interferir na saúde da pele;
- procurar avaliação médica quando surgirem alterações persistentes.
A OMS reforça que a exposição excessiva à radiação UV é um importante fator de risco para câncer de pele e também está relacionada ao envelhecimento precoce. Medidas simples de proteção têm um papel relevante na prevenção.
O melhor tratamento começa antes do procedimento
Ao longo da minha prática, aprendi que resultados naturais e cuidados de longo prazo dependem de mais do que uma boa técnica, dependem de avaliação, planejamento e, principalmente, de compreender quem é o paciente que está diante de nós.
A cirurgia plástica pode fazer parte desse cuidado, mas os tratamentos não cirúrgicos também podem ter um papel importante e vale ressaltar que nenhum deles deve ser analisado de forma isolada, uma vez que a pele responde ao conjunto de hábitos, cuidados e procedimentos.
Por isso, quando uma paciente me procura para tratar manchas, flacidez, rugas ou alterações de textura, minha primeira preocupação não é escolher um procedimento, mas sim, entender a pele, a saúde e o momento daquela pessoa, para a partir daí, podermos decidir se o melhor caminho é um tratamento clínico, um procedimento não cirúrgico, uma combinação de abordagens ou, em determinadas situações, uma cirurgia plástica.
Cuidar da pele é um trabalho contínuo. E quanto mais cedo começamos, mais natural tende a ser a forma como envelhecemos e mais do que buscar uma pele perfeita, acredito que o objetivo deve ser manter uma pele saudável, bem cuidada e compatível com a nossa idade e com a nossa individualidade.




