A beleza muda. A saúde permanece.
Ao longo das décadas, a estética corporal já valorizou diferentes características. Houve um tempo em que a magreza extrema ocupava esse lugar, em outro as curvas passaram a representar o padrão de beleza desejado. Mais recentemente, acompanhamos uma valorização crescente de corpos extremamente definidos e muito magros, impulsionada pelas redes sociais, pelos filtros digitais e pela velocidade com que novas tendências surgem e desaparecem.
Provavelmente, daqui a alguns anos, um novo padrão ocupará esse espaço, mas o fato é que a beleza muda constantemente, mas a saúde permanece e talvez, esse seja um dos maiores aprendizados que a medicina me proporcionou ao longo dos anos. Diferente das tendências, o organismo humano possui um tempo próprio, características únicas e necessidades que não acompanham a velocidade das mudanças impostas pelo universo digital.
Por isso, acredito que existe uma grande diferença entre buscar uma mudança porque ela faz sentido para você e buscar uma mudança apenas porque ela faz sentido para a moda do momento e refletir, bem como orientar sobre isso, também faz parte da boa prática da cirurgia plástica.
Nem toda tendência combina com você
As redes sociais trouxeram benefícios importantes quando falamos em acesso à informação, mas por outro lado, também contribuíram para a construção de padrões estéticos cada vez mais imediatistas e, muitas vezes, inalcançáveis.
Corpos extremamente magros, peles sem qualquer textura, proporções corporais padronizadas e procedimentos apresentados como soluções rápidas passaram a ocupar um espaço significativo nas conversas relacionadas à saúde e à beleza.
Existe, entretanto, uma pergunta que considero muito importante: quem definiu que esse padrão também precisa fazer sentido para você?
Nem toda tendência combina com a sua história, com as características do seu organismo ou com aquilo que realmente contribui para a sua qualidade de vida e a individualidade merece ser preservada. Pacientes diferentes buscam objetivos diferentes e consequentemente, as indicações terapêuticas devem ser exclusivas.

A cirurgia plástica vai contra, necessariamente seguir tendências
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a cirurgia plástica deve ser orientada, independente das tendências do momento, pois seu papel é muito mais amplo do que isso e há muitas maneiras de ser belo.
A cirurgia plástica pode contribuir significativamente para o conforto físico, para a autoestima, para a recuperação após grandes perdas de peso, para a reconstrução de estruturas corporais e para a satisfação do paciente com sua própria imagem. Entretanto, acredito que ela deve ser consequência de uma decisão consciente, visando bem estar e realidade de vida.
Uma das perguntas mais importantes durante uma consulta é compreender por que um paciente deseja realizar determinado tratamento. Trata-se de um desejo genuíno? Existe um desconforto físico ou emocional relacionado àquela característica? A mudança contribuirá para sua qualidade de vida? Ou estamos apenas diante da influência exercida por um padrão estético que provavelmente será substituído por outro daqui a alguns anos?
Essas respostas possuem enorme importância no planejamento terapêutico e a cirurgia plástica deve exclusivamente acompanhar as necessidades do paciente e jamais as tendências da moda.
Saúde sem tendências
Vivemos em uma sociedade que nos convida diariamente à comparação com outras pessoas. Fazemos isso através das redes sociais, das fotografias cuidadosamente produzidas e dos conteúdos que consumimos ao longo do dia e a partir disso, pouco a pouco, começamos a acreditar que existe apenas uma forma correta de beleza.
Essa percepção merece atenção!
Pessoas saudáveis, com características corporais absolutamente normais e belas, passam a enxergar seus corpos como insuficientes simplesmente porque eles não correspondem ao padrão estético do momento e um dos maiores desafios dos nossos tempos está justamente em aprender a construir uma relação mais saudável com a própria imagem.
Isso não significa abandonar o desejo de melhorar, muito pelo contrário. Cuidar da aparência, praticar atividade física, buscar hábitos mais saudáveis ou realizar uma cirurgia plástica podem representar decisões extremamente positivas quando fazem sentido para a realidade de cada paciente.

Menos comparação, mais individualidade
Talvez eu pudesse resumir grande parte das minhas consultas em uma única orientação: procure conhecer melhor o seu próprio corpo. Ele possui características únicas, potencialidades próprias e merece ser respeitado.
A cirurgia plástica me ensinou que a beleza não está relacionada à padronização e na maioria dos casos, ela está justamente no equilíbrio, na harmonia e no respeito às características individuais de cada pessoa e até as pequenas imperfeições.
Quando deixamos de buscar aquilo que está sendo apresentado como ideal para compreender aquilo que realmente faz sentido para nós, as decisões relacionadas à saúde se tornam mais conscientes e mais seguras e está tudo bem que a nova tendência não combine com você.
A maior tendência que vale a pena seguir
Se eu pudesse incentivar meus pacientes a seguir apenas uma única tendência, provavelmente ela seria bastante diferente das que encontramos diariamente nas redes sociais, pois eu incentivaria à busca por saúde, equilíbrio e qualidade de vida.
Aliás, incentivo diariamente as escolhas que respeitem o tempo do organismo, a individualidade de cada pessoa e a construção de uma relação mais gentil com a própria imagem.
A cirurgia plástica ocupa um lugar importante dentro desse cuidado. Ela pode contribuir para autoestima, conforto físico e satisfação pessoal quando realizada de maneira responsável e individualizada.
A beleza continuará mudando ao longo do tempo. Novos padrões surgirão, os procedimentos entrarão e sairão de moda e diferentes características corporais serão valorizadas pelas próximas gerações.
Enquanto isso, existe algo que continuará fazendo sentido independentemente das tendências: cuidar da sua saúde, respeitar a sua individualidade e construir uma relação equilibrada com o próprio corpo.
A beleza muda. A saúde permanece. E talvez essa seja a única tendência que nunca deveria sair de moda.




